UNO Junho 2014

Recursos naturais: desenvolvimento econômico e riscos sociais e regulamentares

01_2O  negócio dos recursos naturais no mundo e sobretudo na América Latina virou o foco de interesse de investidores internacionais. Mas essa atração de investidores, se não se gerencia de forma inteligente, pode transformar-se numa atração fatal, uma vez que pode dar lugar a um estado crescente e, à vezes dificilmente controlável, de conflitos locais que podem pôr em perigo tais projetos.

Empresas mineiras e petroleiras estatais chinesas, canadenses, americanas e inglesas transformaram os países extratores da América Latina em seus principais sócios estratégicos dentro da região. De fato, a América Latina transformou-se na região mais importante do mundo quanto a investimentos em mineração. Para 2020, as cifras de investimento estimadas superam em muito o investimento atual, que já é muito notório.

Embora estes investimentos sejam uma fonte potencial de geração de riqueza para os países receptores, estão surgindo grupos opositores, como a população autóctone, alguns grupos indígenas, associações de defesa do meio ambiente, empresas locais ou organizações não governamentais fortes que se preocupam com o impacto imediato e estratégico que estas empresas podem provocar nas zonas de extração nos quesitos meio ambiente, cultura, sanidade e sociedade.

A América Latina transformou-se na região mais importante do mundo para atrair investimentos em mineração.

Nos últimos anos, os conflitos sociais gerad01_1os em torno dos grandes projetos extrativos da região vêm disseminando o vírus da desconfiança entre as populações locais em particular, e entre os cidadãos em geral, até o ponto de passarem da natureza inicial de seus protestos e estarem cobrando uma força destacada como autênticos jogadores legitimados para intervir no processo político nacional.

Neste cenário, o principal desafio das empresas que investem em recursos naturais na América Latina é fomentar sua relação econômica e estratégica de forma harmoniosa, sem ignorar a necessidade de fazê-lo com uma política de desenvolvimento sustentável, com transparência e com compromissos sociais para a região. Em definitiva, devem construir modelos de negócio de valor compartilhado com todos os participantes e interessados locais.

Nesta UNO16 analisamos o contexto em que se encontra a exploração dos recursos naturais na América Latina, os riscos e conflitos sociais que podem ser gerados ao redor deles e como cabe aos governantes encontrar a solução para tais conflitos potenciais.

 

 

José Antonio Llorente
Sócio Fundador e Presidente da LLORENTE & CUENCA
Como especialista em comunicação corporativa e financeira, ao longo dos seus mais de 25 anos de experiência assessorou numerosas operações corporativas – fusões, aquisições, desinvestimentos, joint ventures e colocação em bolsa –. É o primeiro profissional espanhol que recebe o prêmio SABRE Award de Honra pela realização Individual dos objetivos extraordinários - SABRE Award por Outstanding Individual Achievement - um prêmio a nível europeu, concedido pela The Holmes Report. Durante dez anos trabalhou para a firma multinacional Burson-Marsteller, onde foi Conselheiro Delegado. Atualmente é membro do Patronato da Fundação Euroamérica e da Junta Diretiva da Associação Espanhola de Acionistas Minoritários de Empresas Cotizadas. Pertence também ao Conselho Assessor de PME da Confederação Espanhola das Pequenas e Médias Empresas, à Junta Diretiva da Associação de Agências de Espanha, e ao Conselho Assessor do Executive MBA em Direção de Organizações de Serviços Profissionais organizado por Garrigues. José Antonio é Licenciado em Ciências da Informação, ramo de Jornalismo, pela Universidade Complutense de Madrid, e especialista em Public Affairs pela Indiana University da Pensilvânia e pelo Henley College de Oxford. @jallorente [EUA / Espanha]

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