Atualmente, a informação parece estar ao alcance de todos. Estamos rodeados de informação, que chega de maneira fácil, em diferentes quantidades. No entanto, a obtenção da informação relevante e a extração do significado desta enorme emaranhado de dados desestruturados que nos rodeiam, implicam em uma capacidade de análise que exige uma sólida preparação.

Os contextos econômicos, políticos, regulatórios, tecnológicos ou sociais estão estreitamente interconectados, e uma má interpretação desta complexa realidade pode levar empresas e organizações a decisões equivocadas. Para evitar esta situação, devemos melhorar nossa capacidade de estabelecer uma imagem autêntica da realidade e, sobretudo, de como esta pode afetar o futuro da companhia, seja pela ação da competência ou pelas pressões do entorno social ou regulatório.

01_1A disciplina de “inteligência”, no imaginário social, esteve, até pouco tempo atrás, ligada a um conceito de segurança dos Estados ou até mesmo à espionagem. Hoje, esta disciplina desenvolvida por autênticos especialistas em análise política, econômico e social, atravessou as fronteiras da segurança, para trazer conhecimento especializado na tomada de decisões empresariais.

Os Estados Unidos são pioneiros no desenvolvimento desta disciplina, primeiro em suas aplicações militares e civis e, atualmente, também como uma ferramenta a serviço da estratégia empresarial, não apenas quanto à necessidade de conhecimento dos competidores, mas também a respeito de como integrar as vantagens (e minimizar os riscos) procedentes do ambiente econômico e social.

A história de inúmeras companhias, algumas desaparecidas por não terem interpretado corretamente a informação e o contexto competitivo, e outras que souberam manter-se, frente a mudanças vertiginosas, fazendo uso da informação como fator de transformação, nos demonstram que o conhecimento e a antecipação durante a tomada de decisões possui, na atualidade, um valor incalculável para toda organização que deseja competir nas melhores condições.

A disciplina de “inteligência”, no imaginário social, esteve, até pouco tempo atrás, ligada a um conceito de segurança dos Estados ou até mesmo à espionagem

Por tudo isto, quisemos dedicar este número 19 da revista UNO ao conceito da inteligência competitiva, seu significado e importância, seu modo de produção e como utilizá-la de forma complementar ao desenvolvimento, não apenas nos planos estratégicos das empresas, mas também na tomada de decisões diárias. Contamos, como sempre, com especialistas de vários países onde a LLORENTE & CUENCA opera e com os muitos apoios significativos da Cátedra de Inteligência da Universidade Rei Juan Carlos e uma extraordinária reflexão do próprio diretor do Centro Nacional de Inteligência Espanhol.