01_2

O contexto econômico, social e político dos últimos anos, especialmente nos países mais afetados pela grande recessão, mudou a relação existente entre as empresas e os cidadãos. De uma situação que poderíamos chamar de “convivência necessária” entre o público e as corporações, passamos a outra de “escrutínio permanente” sobre a atuação das companhias em suas diferentes dimensões: como geradoras de emprego, criadoras de valor para seus acionistas, motores da inovação, transparência, comportamento ético ou contribuição para a sociedade.

Os processos judiciais nos quais se veem imersas quaisquer companhias podem gerar uma ruptura importante na confiança existente entre seus distintos stakeholders

Neste sentido, os processos judiciais nos quais se veem imersas quaisquer companhias podem gerar uma ruptura importante na confiança existente entre seus distintos stakeholders. O risco de que se coloque em xeque a reputação de uma organização quando esta se vê envolvida em um processo judicial é cada vez mais evidente. E a este respeito, é preciso ter atenção especial aos processos que, devido à sua própria natureza – por exemplo, porque entram dentro do âmbito penal – geram um maior interesse da mídia. Este tipo de processo muitas vezes resultam em uma maior visibilidade e um elevado nível de conversação sobre o assunto, permitindo a proliferação de todos os tipos de opiniões. Enquanto há alguns anos atrás a repercussão midiática de um processo judicial poderia colocar em causa questões fundamentais, tais como a presunção de inocência ou o segredo de justiça, a revolução digital e a socialização das informações fizeram com que esse impacto tenha se multiplicado.

01_1Diante desta crescente complexidade do mercado e da incerteza gerada por esta evolução, as companhias estão cada vez mais conscientes da possibilidade de tornarem-se o foco de atenção social, quando confrontadas com estes tipos de situações.

Esse número da UNO reflete esta crescente preocupação que foi gerada no mundo empresarial e as chaves para gerenciar a reputação tanto de pessoas físicas quanto jurídicas quando estas enfrentam um litígio. Além disso, queremos que a UNO#22 seja um espaço que apresente e reúna os pontos de vista das diferentes partes envolvidas na formação da opinião pública durante processos judiciais: dos juízes, como garantidores máximos da lei; dos advogados, como defensores dos interesses legítimos de cada uma das partes; dos diretores de comunicação, em seus esforços para transmitir aos públicos o ponto de vista da empresa e seus gestores; dos consultores de comunicação, que aconselham e assessoram a estratégia de comunicação na tentativa de minimizar o impacto na reputação; e dos jornalistas, em sua função de transmitir informações atualizadas e de interesse para seus leitores. Todos eles com interesses e critérios que podem ser, às vezes, conflitantes.